Nesta semana que passou tivemos a alegria e o privilégio de receber a visita dos irmãos Marcos Andrade e Marlene, e seus lindos filhinhos Agatha e Noah, que vieram do Rio de Janeiro para conhecer nossa comunidade, passar um tempo de qualidade conosco, curtir um pouco da terra da luz, enfim, compartilharmos vida e graça e nos encorajarmos mutuamente. Eles chegaram no sábado (21/01/2011), tarde da noite, e retornaram na quinta-feira (27/01/2011) às 11:00h. No dia em que chegaram foram recebidos no aeroporto com todo carinho pelos irmãos Augusto e Aninha, e conduzidos até o hotel onde se hospedaram.
Naquele fim-de-semana a igreja que se reúne conosco havia se retirado em uma pousada na serra de Guaramiranga, para um tempo maior de meditação e comunhão. Por isso o Marcos e família foram recebidos pelo Augusto e a Aninha, e também puderam participar da reunião da igreja orgânica que se reúne com eles. Só a partir da segunda-feira é que eu e a Inês pudemos estar com eles.
Como disse antes, foi muito bom conhecê-los e estar com eles esses (poucos) dias. Como é bom conhecer novos irmãos! Ainda mais saber que o Espírito Santo de Deus está dando a mesma visão da igreja que ele nos deu a muitos irmãos Brasil afora. Marcos (segundo ele me disse) vem refletindo seriamente nos últimos anos sobre o Reino de Deus e a Igreja, e o Senhor o tem conduzido a perceber que devemos viver igreja hoje segundo os princípios, as práticas principais – enfim o modelo – que se encontram nos livros da Nova Aliança (o Novo Testamento) e não segundo o modelo sacerdotal-templário ritualístico que é narrado nos livros da Velha Aliança (o Velho Testamento). O Marcos nos descobriu pelo blog, entrou em contato conosco e veio nos visitar.
Uma das coisas que o Marcos e a Marlene perceberam é que eles não estão sozinhos nesta visão. Há muitos outros “joelhos que não se dobraram” a Constantino e seu modelo católico de igreja. Eles viram aqui em Fortaleza que a igreja orgânica não é uma utopia, mas é real. Acho que pudemos ser úteis para eles. Assim desejamos ter sido. Além disso, fizemos o que pudemos para lhes tratar com o maior carinho, como merecem todos os que são da família de Deus.
Algo interessante que quero destacar aqui é que eles vieram para aprender, mas, como não poderia ser diferente entre irmãos, também nos ensinaram. Não só foram edificados, mas nos edificaram. E uma coisa que ficou marcada em minha mente devido às nossas conversas é que a nomenclatura “igreja primitiva” é inadequada e deve ser abolida em nosso meio. Quando nos referirmos à igreja narrada no Novo Testamento devemos usar as expressões “igreja do primeiro século” ou “igreja neotestamentária”. O irmão Marcos pontuou muito bem que a palavra “primitiva” carrega o significado de que a igreja do primeiro século era incipiente, subdesenvolvida, atrasada, e que, com o passar dos séculos, teria havido uma evolução da igreja, semelhantemente ao que postula a teoria da evolução de Darwin com relação aos seres vivos.
A expressão “igreja primitiva” é usada correntemente pelos modernos irmãos que se congregam em igrejas institucionalizadas, pois expressa subliminarmente o seu pensamento de que as práticas atuais – de construir templos, manter clérigos/ministros profissionais, sacralizar o domingo, realizar cultos com liturgias e rituais predefinidos, de exigir dinheiro dos irmãos para manter toda a estrutura que eles criaram, e de tentar “vitaminar” a igreja com as mais novas técnicas de administração de empresas – representam um melhoramento das práticas apostólicas da igreja neotestamentária.
Melhoramento? Será que é possível o homem melhorar o que Deus fez? Penso que a resposta a esta pergunta é óbvia: NÃO.
O modus vivendi dos primeiros discípulos de Jesus, tanto no primeiro momento, em Jerusalém, quanto nas demais cidades do mundo antigo onde surgiram igrejas, foi inspirado e guiado pelo Espírito Santo de Deus. Foi a experiência comunitária mais significante que a humanidade já experimentou, embora eu admita que não foi perfeita (só o será na “nova terra”, quando já estivermos glorificados). Não foi fruto do acaso, nem muito menos do planejamento estratégico dos líderes cristãos da época. A vida dos primeiros cristãos está registrada na Bíblia para servir de boa orientação e bom modelo para os cristãos de todos os tempos. E também para mostrar o que acontece quando uma igreja se forma organicamente. Em outras palavras, sempre que um grupo de pessoas redimidas por Jesus Cristo resolve se unir para constituir uma eklesia – uma congregação de crentes – sem que ninguém interfira com idéias religiosas ou empresariais preconcebidas, o resultado esperado é a formação de uma verdadeira comunidade, um organismo vivo que é corpo de Cristo na Terra. Os crentes de uma igreja nascida organicamente se enchem de desejo de estar em comunhão uns com os outros, compartilham a vida (não só algumas horas aos domingos), buscam encorajar-se mutuamente na fé, não se separam em castas de clérigos e leigos, oram, estudam a “doutrina dos apóstolos”, ajudam os necessitados, exatamente como aconteceu com os cristãos do primeiro século. Não existe nada que possa superar isto.
Hoje em dia há muitos que entendem e afirmam que o “modelo” da igreja em Jerusalém, como está narrado em Atos, foi um erro da igreja “primitiva”, e que as demais igrejas que surgiram depois da dispersão dos crentes judeus de Jerusalém não mais viveram comunitariamente, e que desenvolveram até outros modelos de organização eclesial, parecidos com os das igrejas e denominações de hoje. Porém, este argumento é falacioso. Para ver uma argumentação mais detalhada a este respeito, leia o nosso artigo “Igrejas nos Lares – um modelo ou O Modelo?” aqui mesmo no blog.
A igreja sofreu uma forte influência das culturas grega e romana logo nos primeiros séculos que se seguiram ao Século I, e, aos poucos, foi se distanciando dos princípios que guiavam as práticas da igreja original. O efeito deste desvio é o que se vê hoje. O pior é que não parou; continua a acontecer. Quanto mais o tempo passa, mais esquisitices eclesiais são inventadas, a maioria delas “inspiradas” no Antigo Testamento. Títulos hirerárquicos, roupas, toques de shofar, unções disso e daquilo, festas judaicas, "gritos de louvor", etc. Meu Deus, será que os judaizantes estão de volta com todo gás?
Na verdade, o que aconteceu com o passar dos séculos foi um desvio, não uma “evolução”. A igreja do primeiro século não era “primitiva”. Ela foi, talvez, a melhor igreja que já existiu. É o nosso modelo, nosso alvo em termos de prática eclesial. Valeu Marquinhos!

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